
O quadro Futebol de Salto Alto, sucesso semana passada com o texto de introdução, começa hoje a série de entrevistas com jornalistas, blogueiras e jogadoras que embelezam todos os dias o futebol no Brasil.
Assim, o EsporteTotal orgulhosamente divulga a nossa primeira entrevista, com a jornalista da Band Minas, Dimara Oliveira
que apresenta o programa Minas Esporte, de segunda à sexta, a partir das 14:15.1. Como começou a sua historia no jornalismo?
Sempre gostei de futebol e amo televisão. Cheguei a fazer patologia clínica, porque também gostava da medicina e achava que jornalismo era mais um prazer, mas aí falou mais alto a carreira que estava no meu destino.
Futebol sempre esteve na minha vida porque meu pai não teve filhos homens e assim, sempre nos levou ao Estádio, nós, as filhas, e aí já viu, foi paixão mesmo.
Fui direto da Faculdade para a TV Bandeirantes em 1990. Comecei como repórter, depois fui para mesa de apresentadores, tive uma passagem pela assessoria de imprensa do Cruzeiro em 1999 e retornei à Band em 2004, agora como editora chefe de esportes, apresentadora e repórter de rede nacional da emissora.
2. Você se inspira em quem?
Difícil dizer isso. Acho que minha inspiração foi sempre meu pai. Ele era Delegado Geral da Polícia Civil, mas um apaixonado pelo jornalismo esportivo. Por isso, quando foi delegado na Cidade de Pouso Alegre, comprou a Rádio da cidade e criou uma equipe de esportes, onde transmitia todos os jogos para o interior de Minas. A equipe acompanhava os times mineiros em todos os principais estádios do Brasil. Resultado: Eu era pequena e cresci no estúdio da rádio acompanhando tudo. Depois, ele promovido na carreira, veio para BH e eu para a Faculdade de Jornalismo. A minha inspiração sempre foi ele, acho que realizo o que ele gostaria de ter feito como profissional.
3. Já sofreu algum preconceito por estar em meio ao futebol?
No início acho que me olhavam de forma diferente. Praticamente não havia o trabalho feminino, principalmente dentro de campo e nos vestiários, até porque nem havia as salas de imprensa nos Estádios. O trabalho de vestiário era no vestiário mesmo, mas quando começaram a ver o resultado do meu trabalho, chegaram à conclusão de que era essa mesma a minha praia, aí não tive mais nenhum olhar estranho. Sabiam que eu tinha vindo pra ficar. Tenho o respeito de todos os companheiros. Hoje faço parte da diretoria eleita da Associação Mineira de Cronistas Esportivos. Eleita sou a primeira na história de 70 anos da AMCE.
4. Percebe-se um aumento significativo na participação das mulheres no esporte. Essa tendência deve se manter?
Com certeza. Em muitas coberturas que participo somos inclusive a maioria. Não existe mais essa história homem/mulher no futebol. Existe sim o bom profissional.
5. Qual o seu conselho para as mulheres que desejam viver em meio ao futebol, mas temem a intolerância da sociedade?
Manter a seriedade do trabalho. Saber que estamos em um mundo masculino, na sua concepção e o comportamento profissional é que vai fazer com que o respeito seja consequência. Estarem sempre bem informadas, porque da mulher, em qualquer área, sempre se exige mais. Isso é realidade de mercado.
6. Para você, a que se deve a falta de espaço para as mulheres no futebol?
Acho que, sinceramente, atualmente o espaço é o mesmo. A competência e o preparo profissional é que vai fazer com que o espaço esteja aberto. Dominar idiomas, entender as regras, ter vocabulário, jogo de cintura. Isto diferencia qualquer profissional seja homem ou mulher.
7. O que seria necessário para exterminar o estigma de que “mulher não sabe de futebol” no Brasil?
Sinceramente acho que isto já passou. Quem se utiliza deste estigma é porque ainda vive no século passado. Hoje mulheres que querem e gostam de futebol entendem tudo como qualquer outro homem. Quem não gosta também é como qualquer homem que não gosta de futebol.
8. Já pensou em ser jogadora antes de se formar em jornalismo?
Não pensei em ser jogadora de futebol, mas sempre pratiquei esportes: handebol e Vôlei, sempre joguei , participei de jogos Estudantis, municipais, estaduais e nacionais. No Promove quando me mudei para BH, fiz parte do time de futebol de Salão feminino,mas sempre fui melhor no handebol e no Vôlei.
Agradecemos muito a participação de Dimara Oliveira, essa excepcional jornalista, figura carimbada da Comunicação em Minas Gerais.
Semana que vem será a vez de Kelen Cristina, do Estado de Minas.
Equipe EsporteTotal


20:18:00
Luiz Felipe






